27/01/08
23/01/08
17/01/08
Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...
Como um canto longínquo – triste e lento –
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...
A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.
E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!
Antero de Quental
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15/01/08

...
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está húmida.
Soa, ressoa o mar distante
...
Pablo Neruda
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13/01/08
mar imenso, incêndio incontrolável,
avassaladora tempestade de sentidos
e no entanto … um só olhar
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09/01/08

Quais são as tuas palavras essenciais?
As que restam depois de toda a tua agitação
e projectos e realizações.
As que esperam que tudo em si se cale
para elas se ouvirem.
As que talvez ignores
por nunca as teres pensado.
As que podem sobreviver quando o
grande silêncio se avizinha.
Vergílio Ferreira
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04/01/08
Abraço
De repente deu vontade de te dar um abraço...
Uma vontade de entrelaço, de proximidade.
de amizade..sei lá..
Talvez um aconchego que enfatize a vida e
amenize as dores...
Que fale sobre os amores,
que seja teimoso e ao mesmo tempo forte.
Deu vontade de poder rever saudade
de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço
mas que faça lembrar do carinho,
que surge devagarzinho
da magia da união dos corpos, das auras..sei lá..
Lembrar do calor das mãos
acariciando as costas
a dizer..
"estou aqui."
Lembrar do trançar dos braços envolventes e seguros afirmando
"estou com você"..
Lembrar da transfusão de forças
com a suavidade do momento ..sei lá..
abraço...abraço...abraço...
abraço...abraço..abraço...
abraço...abraço...abraço...
O que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energia que harmoniza,
integra tudo, e que se traduz
no cosmo, no tempo e no espaço.
Só sei que agora deu vontade desse abraço!!
Que afaste toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima da alegria,
e acalme o coração..
Que traduza a amizade, o amor e a emoção.
E para um abraço assim só pude pensar em você....
nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade
que sabe entender o por quê...
dessa vontade desse abraço.
Vinicius de Moraes
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21/12/07
[blue]***[/blue] Novas animações de Ávores de Natal
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19/12/07
ou se ao menos me desses as mãos como quem beija
e não partisses, assim, empurrando o vento
com o coração aflito, sufocado de segredos;
se ao menos percebesses que eram nossos
todos os bancos de todos os jardins;
se ao menos guardasses nos teus gestos essa bandeira de lirismo
que ambos empunhamos na cidade clandestina
Quando as manhas cheiravam a óleo e a flores
e o inverno espreitava ainda nas esquinas como uma criança tremendo;
se ao menos tivesses levado as minhas mãos para tocar os teus dedos
para guardar o teu corpo;
se ao menos tivesses quebrado o riso frio dos espelhos
onde o teu rosto se esconde no meu rosto
e a minha boca lembra a tua despedida,
talvez que, hoje, meu amor, eu pudesse esquecer
essa cor perdida nos teus olhos.
Joaquim Pessoa in Antologia Poética
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16/12/07
12/12/07
José Gomes Ferreira in Poeta Militante II
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10/12/07

Nirvana
Para além do Universo luminoso,
Cheio de formas, de rumor, de lida,
De forças, de desejos e de vida,
Abre-se como um vácuo tenebroso.
A onda desse mar tumultuoso
Vem ali expirar, esmaecida...
Numa imobilidade indefinida
Termina ali o ser, inerte, ocioso...
E quando o pensamento, assim absorto,
Emerge a custo desse mundo morto
E torna a olhar as coisas naturais,
À bela luz da vida, ampla, infinita,
Só vê com tédio, em tudo quanto fita,
A ilusão e o vazio universais
Antero de Quental in Sonetos
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06/12/07

...e a maciez de tudo:
um lápis entre os dedos,
dois cigarros,
quatro colheres de
açúcar,
que me amargava o chá
(mesmo de nervos)
Assim já está
melhor: amarga a vida
mas o chá docinho:
luminosa cidreira
entre pregas e rotas
interiores.
Caminho certo
para o coração
Ana Luísa Amaral- Aritmética, in Poesia reunida
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03/12/07

(Prelúdio em forma de grito, para um livro de confissões pessoais que nunca escreverei)
Ouve, tu que não existes em nenhum céu:
Estou farto de escavar nos olhos
abismos de ternura
onde cabem todos
- menos eu.
Estou farto de palavras de perdão
que me ferem a boca
dum frio de lágrimas quentes de punhal.
Estou farto desta dor inútil
de chorar por mim nos outros.
- Eu que nem sequer tenho a coragem de escrever
os versos que me fazem doer.
..................................................................................
Ah! Se eu imitasse a alegria das arvores e do vento
Que riem sem motivo.
Mas não. Ando triste.
Já não me contento em sentir-me vivo…
(E que outro destino existe?)
José Gomes Ferreira in Poeta Militante
Publicada por Ad astra à(s) 3.12.07 12 comentários
30/11/07
27/11/07

Canción de la espera
Espero tu sonrisa y espero tu fragancia
por encima de todo, del tiempo y la distancia.
Yo no sé desde dónde, hacia dónde, ni cuándo
regresarás... sé sólo que te estaré esperando.
En lo alto del bosque y en lo hondo del lago,
en el minuto alegre y en el minuto aciago,
en la función pagana y en el sagrado rito,
en el limpio silencio y en el áspero grito.
Allí donde es más fuerte la voz de la cascada,
allí donde está todo y allí donde no hay nada,
en la pluma del ala y en el sol del ocaso,
yo esperaré el sonido rítmico de tu paso.
Comprendo que de mí ya se ría la gente
al ver cómo te espero desesperadamente.
Cuando todos los astros se apaguen en el cielo,
cuando todos los pájaros paralicen el vuelo
cansados de esperarte, ese día
lejano yo te estaré esperando todavía.
No importa: aunque me digan todos que desvarío,
yo te espero en las ondas musicales del río,
en la nube que llega blanca de su trayecto,
en el camino angosto y en el camino recto.
Niño, joven o anciano, sonriendo o llorando,
en el alba o la tarde, yo te estaré esperando,
y si me convenciera que ese ansiado día
no habría de llegar, también te esperaría.
José Angel Buesa in Babel
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26/11/07
De que estou cansado, não sei,
[…]
Publicada por Ad astra à(s) 26.11.07 10 comentários
22/11/07
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21/11/07
Desejaria enrolar-me numa folha e dormir na sombra.
E germinar no sono, germinar na árvore.
Tudo acabaria na noite, lentamente, sob uma chuva densa.
Tudo acabaria pelo mais alto desejo num sorriso de nada.
No encontro e no abandono, na última nudez,
respiraria ao ritmo do vento, na relação mais viva.
Seria de novo o gérmen que fui, o rosto indivisível.
E ébrias as palavras diriam o vinho e a argila
e o repouso do ser no ser, os seus obscuros terraços.
Entre rumores e rios a morte perder-se-ia.
Publicada por Ad astra à(s) 21.11.07 11 comentários
19/11/07
Por uma escada abaixo
Os meus desejos balouçam-se
Em meio de um jardim vertical.
Na Múmia a posição é absolutamente exata
Música longínqua
Música excessivamente longínqua,
Para que a Vida passe
E colher esqueça aos gestos
Fernando Pessoa -Cancioneiro
-Nem todas as chuvas atingem o solo, algumas evaporam-se enquanto estão ainda a cair -
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18/11/07
Sinto que também tu a vês rondar, sombra de negro vestida, rindo irónica, indiferente e insensível ao tempo que por direito te devia esperar
apertas-me a mão, sorriso calmo e cansado, como a pedir que a tire dali, que não a deixe ganhar
e eu tento afastá-la da única forma que sei, com as únicas armas que tenho
… meus braços para te abraçar…
Publicada por Ad astra à(s) 18.11.07 6 comentários
16/11/07
um dia vou escrever chilreios de pássaros, céus azuis, campos de flores
mãos dadas, sorrisos alegres
e uma alvorada de mil cores
um dia… não hoje
hoje escrevo rosto em traço cerrado, névoas de silêncio pesado,
negro céu carregado, vento de sopro gelado
e uma mão cheia de amanhãs adiados
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13/11/07
Cumpria-se Novembro na primeira hora daquela tarde
antes que a chuva chegasse aberta para lavar o jardim com mansidão
e humedecesse meus olhos pela cor perdida,
procurei azul …
cumpria-se Novembro e naquela tarde que era quase uma noite, olhei o céu e a sua luz empalidecera também.
quem pôde desbotar as cores dos meus olhos?
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12/11/07
Balada de sempre
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07/11/07
falta talvez, apenas um passo
sobram sorrisos alegres, palavras amáveis…
máscaras moldadas em ausências de ti
Publicada por Ad astra à(s) 7.11.07 10 comentários
04/11/07
Longinqua e calma melodiano lado vazio da noite perturba silêncios
São dedos, libertos do medo...
dedilham ternura, desvendam segredos
E cristalinas lágrimas, tecidas de sonho por cumprir
imitam gotas de chuva
Publicada por Ad astra à(s) 4.11.07 8 comentários
02/11/07
Dando cumprimento ao desafio que me foi lançado, aqui vai:
1) Sem escolher, pegar no livro mais próximo;
2) Abri-lo na página 161;
3) Na referida página procurar a 5ª frase completa;
4) Transcrever na íntegra para o seu blogue, a frase encontrada;
5) Passar o desafio a 5 bloggers;
“ Começamos a falar de progresso.Disse que a questão de fazer o bem ou fazer o mal, cada um de nós decide por si, sem esperar o momento em que a Humanidade chegue a uma conclusão sobre isso, através do desenvolvimento progressivo"
Anton Tchekov
A minha vida - relato de um provinciano
E agora passo o desafio a : Palavras previamente Ensaiadas, As mãos por dentro do corpo, Urbanidades, Selos difusos e Marulhos
Publicada por Ad astra à(s) 2.11.07 7 comentários
31/10/07
'Lascia ch'io pianga'
Deliciem-se no feriado a ouvir Angela Gheorghiu cantar ,como ninguem, esta ària da ópera "Rinaldo" de Handel, e com direito a tradução:
“Tiraste-me do meu querido céu, para minha tristeza!
E aqui, em dor eterna, manténs-me viva em tormento eterno!
Ah, Senhor! Piedade! Deixe-me chorar.
Deixe-me chorar o meu cruel destino
E almejar a liberdade!
E possa a dor, quebrar as cadeias do meu sofrimento!”
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30/10/07
navego meu barco de sonhos e mágoas
qual lua mansa sobre mar revolto
rumo a porto seguro
e sinto o salgado naufrágio da tua ausência
…ao longe, velas brancas envoltas nas brumas de um amanhecer distante…
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28/10/07
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23/10/07
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Jorge de Sena ( O Físico prodigioso)
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22/10/07
Sonhei tanto contigo,
Caminhei tanto, falei tanto
Amei tanto a tua sombra,
Que já nada me resta de ti.
Resta-me ser sombra entre as sombras
Ser cem vezes mais sombra que a sombra
Ser a sombra que há-de vir e voltar
Na tua vida cheia de sol.
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21/10/07
Insónia
e eu a vê-los dançar…
assim que o sol despertar, mal o candeeiro da rua se apague, vou subir à rocha mais alta e atirar os meus sonhos ao mar
quando, lentamente, dois ponteiros no relógio recomeçarem a valsa do tempo,
só o candeeiro da rua os irá ver dançar
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19/10/07
Happy Birthday "old" friend
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18/10/07
gosto da melancolia contida na chuva miudinha
que enfeita os dias de céu cinzento
gosto da bruma que invade a ilha
envolvendo minha alma numa inquieta nostalgia
céu cinzento... inquieta nostalgia...
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14/10/07
How I wish you were here
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10/10/07
Poema del renunciamiento
Pasarás por mi vida sin saber que pasaste.
Soñaré con el nácar virginal de tu frente;
Quizá pases con otro que te diga al oído
Yo te amaré en silencio, como algo inaccesible,
Y si un día una lágrima denunciar mi tormento,
José Angel Buesa in Babel
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09/10/07
Aedh Wishes for the Cloths of Heaven
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07/10/07
Não queiras saber de mim...
Hoje perdi toda a graça
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04/10/07
Caros amigos, como se sentiriam se dessem de caras com os vossos escritos, postados por outras pessoas, noutros blogues ou em comentários, e ainda por cima, assinados descaradamente como sendo delas?
Por uma questão de princípios, senti-me triste... não devia?
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Oceano Nox
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01/10/07
na aragem da tarde sopra gelada a palavra adeus
e no caminho, castanho laranja, em cantos distantes…
o som dos teus passos
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28/09/07
Ilhas de bruma


É que nas veias corre-me basalto negro
No coração a ardência das caldeiras
O mar imenso me enche a alma
E tenho verde, tanto verde a indicar-me a esperança
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27/09/07
1957 - 2007
No dia 27 de Setembro de 1957 iniciou-se uma erupção submarina ao largo do Farol dos Capelinhos, na Ilha do Faial. O Vulcão dos Capelinhos, para além de constituir um marco histórico da vulcanologia mundial, pelos estudos e ensinamentos que proporcionou, marcou decisivamente a história de uma Ilha e de uma Região.
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26/09/07
“Phyrrula murina”
Talvez por ser tão frágil e pequena, talvez por se encontrar em vias de extinção, facto é que gosto muito deste "passarinho".
O Priolo, de nome científico “Phyrrula murina”, é uma ave de pequenas dimensões, com um peso médio de 30 gramas e cerca de 16 centímetros de comprimento, característica pelo seu aspecto robusto e altivo, com uma coroa negra na cabeça, bico igualmente negro, curto e forte e uma cauda preta, que se alimenta exclusivamente de vegetação.
Esta ave que só existe nos Açores está ameaçada de extinção.
De acordo com o ultimo censo realizado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) existem cerca de 490 priolos, que vivem circunscritos a uma área de 6.000 hectares de floresta, na zona Oriental de S. Miguel, já classificada como protecção especial.
A partir do próximo mês de Outubro a ilha de S.Miguel vai dispor de um centro ambiental dedicado ao priolo, no Parque Florestal da Cancela do Cinzeiro, no Nordeste.

Publicada por Ad astra à(s) 26.9.07 4 comentários
Não sei o que hei de fazer das minhas sensações,
Publicada por Ad astra à(s) 26.9.07 3 comentários
24/09/07
despem-se cinzas e véuse cantares de bruma sombria
bailam sopros idílicos de cor
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